Dor abdominal: o que é emergência e o que pode esperar a consulta
Dor abdominal é emergência quando é forte, começou de repente e não passa em poucas horas, ou quando vem com febre, vômitos repetidos, barriga dura, sangramento, pele amarelada ou desmaio. Dores leves, que vão e voltam há semanas e não têm esses sinais, podem em geral aguardar uma consulta marcada. Na dúvida, o lugar certo é o pronto-socorro.
Por Dr. Vitor Ferrer — cirurgião geral — CRM-SP 204810. Revisão médica: pendente. Conteúdo informativo; não substitui a consulta.
Duas perguntas que organizam a decisão
Diante de uma dor na barriga, duas perguntas ajudam a separar o que é urgente do que não é: como a dor começou e evoluiu, e o que vem junto com ela.
Dor que surge de repente, é intensa desde o início ou piora de hora em hora preocupa mais do que um incômodo antigo, que aparece e some há semanas. E a presença de outros sinais — febre, vômitos, sangramento — pesa mais do que a dor isolada.
Sinais que pedem pronto-socorro
- dor forte e contínua que não melhora em poucas horas;
- dor que piora ao andar, tossir ou passar em um buraco na rua;
- barriga dura, muito sensível ao toque ou muito distendida;
- febre junto com a dor;
- vômitos repetidos, principalmente com parada de gases e fezes;
- vômito com sangue, fezes pretas ou com sangue vivo em quantidade;
- pele e olhos amarelados, urina escura;
- caroço de hérnia que ficou duro, doloroso e não volta;
- tontura, suor frio, palidez ou desmaio;
- dor na parte alta do abdome com falta de ar ou aperto no peito.
Gestantes, idosos, pessoas com diabetes ou com a imunidade baixa podem ter quadros graves com sintomas mais discretos. Nesses grupos, o limite para procurar atendimento deve ser mais baixo.
O que pode estar por trás
As causas cirúrgicas mais frequentes de dor abdominal aguda são a apendicite, a inflamação da vesícula, a hérnia encarcerada, a obstrução do intestino e a diverticulite. Mas a lista de causas possíveis é longa e inclui problemas urinários, ginecológicos, do pâncreas e até do coração.
É por isso que não vale a pena tentar se diagnosticar em casa. O exame físico, os exames de sangue e os de imagem, feitos na urgência, existem para responder a essa pergunta com segurança.
O que fazer enquanto vai ao hospital
- Evite comer e beber: se for necessária uma cirurgia, o jejum ajuda.
- Não tome remédios repetidamente para "aguentar" a dor.
- Leve a lista dos remédios que usa e os exames recentes que tiver.
- Se houver desmaio, sangramento intenso ou dor insuportável, ligue 192 (SAMU).
O que pode esperar a consulta
Em geral, podem aguardar uma consulta marcada:
- dores leves a moderadas que vão e voltam há semanas ou meses, sem os sinais de alarme;
- desconforto depois das refeições que se repete, como a cólica que passa sozinha em pouco tempo;
- um caroço na virilha ou no umbigo que aparece ao esforço e volta ao deitar;
- achados de exame, como pedra na vesícula ou hérnia, em quem está bem.
"Pode esperar a consulta" não quer dizer "pode esperar indefinidamente". Dor que se repete merece diagnóstico, justamente para que o tratamento seja planejado antes de virar urgência.
Resumo
Dor forte, que não passa, ou acompanhada de febre, vômitos, barriga dura, sangramento, pele amarelada ou desmaio: pronto-socorro. Dor leve e recorrente, sem esses sinais: consulta. Na dúvida entre os dois, escolha o pronto-socorro.